quinta-feira, 19 de junho de 2008

A volta e o desabafo de um torcedor!

Galera, voltei!
Depois de semanas sem postar devido a correria de final de semestre, prometo que voltaremos a postar com mais frequência.
Infelizmente volto para comentar sobre a seleção brasileira. Durante todos os jogos que aconteceram esses dias envolvendo os selecionados de Dunga, cada um me irritou mais que o outro. Contra o Canadá foi uma lástima, apesar da vitória, a atuação foi pífia. Contra a Venezuela, sofrível. Contra o Paraguai o ápice; e contra os hermanos, a coroação dessa curta temporada de jogos que eu espero que tenha fechado o caixão do pseudo-técnico no cargo de comandante da seleção.

O jogo contra o Paraguai foi impressionante. Nunca vi uma seleção tão sem alma, sem brilho, sem tudo! Nada me convence que Gilberto,Gilberto Silva, Josué e Mineiro são jogadores de seleção. "Alguns" vêem me dizer que é um projeto que está sendo feito, com visão para a Copa de 2010. Todos eles têm uma idade mais avançada, acima dos 30 anos. Não me venha com esse papo de renovação. Se fossem excepcionais jogadores tudo bem, mas será mesmo que Lucas, Anderson, Hernanes ou Marcelo não são melhores do que eles?

O torcedor/narrador/comentarista Galvão Bueno não parava de dizer que o Brasil não podia jogar como time pequeno, pois se mostrava acanhado com a escalção de três volantes. Em certa ponto ele está correto, nenhum dos três volantes têm a força ofensiva necessária para chegar de forma efetiva ao ataque. Mas uma escalação com Lucas, Hernanes e Anderson certamente mostraria uma força ofensiva digna de seleção brasileira e, treinado de maneira correta, poderia formar um time coeso. Não adianta só saber marcar, ou somente driblar, têm que ser um jogador polivalente, diversificado. Qual desses três acima citados (os abaixo de 30) que você nunca ouviu falar que marca bem e sabe sair jogando? Qual dos três nunca fez um belo gol? Qual dos três nunca roubou uma bola no meio-campo e armou um contra-ataque com precisão?



O nome do esquema, a numeração (4-4-2, 3-5-2, etc...) é sempre relativo, dependendo da atitude e da movimentação do grupo de jogadores em campo. Essa é uma característica nula nos jogos da seleção. Não existe um time bem treinado. Não existe padrão de jogo. Não existe a mão de um técnico competente evidente nas atuações. A impressão que nos dá é que as vitórias vêem por causa dos jogadores talentosos (final copa américa) ou a fragilidade do adversário (Equador no Maracanã).


Eu ainda nem comecei a falar do jogo de ontem, quero me ater as convocações e outras "picuinhas"; algumas não me passam pela garganta.
  • Será mesmo que a zaga titular deve ser Lúcio e Juan?
Não é possível que ninguém veja o zagueiro do Fluminense, Thiago Silva. Eu sei que muitos vêem. O grande jornalista PVC disse a pouco tempo que Thiago era um dos melhores do mundo. Quando eu dizia isso (antes dele falar) todos riam da minha cara. Não tem por quê, Thiago está sim entre os melhores do mundo. Uma coisa que PVC falou que é muito interessante é a seguinte: nós só valorizamos alguns jogadores quando eles atuam na Europa, não enxergamos os grandes jogadores que atuam aqui, por acharmos que só existem jogadores medianos ou em formação atuando no nosso futebol.

Para mim, Thiago teria vaga certa no time. Existem certas coisas que dificultam isso, todos nós sabemos. Experiência, reputação, histórico e empresário são algumas delas; apesar disso tudo, não consigo ver Thiago Silva fora da seleção brasileira.

Me prendo somente a Thiago pois é o que mais vejo jogar em altíssimo nível, mas outros como Miranda, Breno e Alex Silva certamente teriam vaga na minha seleção.
  • Nossos volantes têm que ser Josué, Mineiro e Gilberto Silva?
Já falei sobre os volantes lá em cima. Não consigo me conformar com isso, me revolto toda vez que vejo a convocação e encontro esses nomes. Pior é quando os vejo em campo. Não me entendam mal, gosto deles, são bons jogadores, mas nada como Anderson, Hernanes, Lucas ou Ramirez. Você deve me criticar achando que só falo de nomes novos, jogadores inexperientes, mas pense comigo: estamos claramente numa fase de transição, e uma hora teremos que dar uma chance aos nosso "garotos". Sou um defensor que devíamos investir na seleção olímpica, mas isso é assunto para outra hora.


Esses são somente alguns pontos da minha revolta. Contando ainda com outras bizarrices como Afonso e Fernando, tenho muitas críticas as convocações de Dunga. Um setor que não temos, infelizmente, muitas opções é o meio-campo. Diego e Julio Baptista são os nomes que se mostram mais evidentes no momento com a ausência de Ronaldinho e Kaká. Uma situação um pouco parecida com o meio-campo vive o setor de ataque. A falta de um atacante referencial para a seleção é um problema que vivemos desde a derrocada de Ronaldo e Adriano (que nunca foi o verdadeiro 9, pois sempre teve Ronaldo na cola). Luís Fabiano, Vagner Love e agora Adriano, tentam assumir essa posição; mas isso mostra-se uma tarefa cada vez mais difícil. Um nome que corre por fora e que logo logo irá preencher esse lugar é Alexandre Pato. Sou fã confesso do jogador. Pouquíssimos atacantes tão novos me trouxeram tanta admiração como trouxe Pato. Completo: chuta, cabeceia, arma e tem explosão. Requisitos básicos para um atacante. E ele tem de sobra cada um desses itens. Com o tempo deve assumir a vaga.


Com tudo o setor que mais me irrita é o de técnico. Não consigo simpatizar com Dunga. Cada vez que vejo seus treinos e jogos sinto-o cada vez mais perdido. Não sabe quem escalar ou que padrão adotar; com isso não faz nenhum nem outro. Escala mal e não obtém padrão.

Como sou um cara otimista, acho que não deve demorar muito para Dunga cair. Basta Ricardo Teixeira ficar irritado e pronto, manda seu fantoche pastar. Para o cargo deles, diversos nomes passam pela minha cabeça e com certeza pela sua. Mas existe um nome que dificilmente passaria pelas cabeças dos torcedores, mas que na minha foi um dos primeiros. Após pensar em Vanderlei, Murici e Abel, parei para analisar os times brasileiros que mais encantaram os torcedores nos últimos anos. Certamente o São Paulo será um deles se falarmos de títulos. Mas e no quesito futebol ofensivo e soldário? Toque de bola envolvente e chegando com muitos jogadores no ataque? Escolhendo volantes que sabem jogar e não brucutus? Na minha visão, esse time era o Botafogo. Com pouco material humano, Cuca formou um time bonito de se ver jogar. Infelizmente carrega um stigma de perdedor. Para mim (diferentemente de muitos) é um dos nomes a se pensar para o cargo. Gosto dos esquemas adotados por ele, é um estilo de jogo que pouco vemos nos gramados. O problema é a "zica" de perdedor.
Se com o limitado elenco do Botafogo Cuca mostrou talento, seu trabalho na seleção seria proveitoso. Enfim, é somente um sonho, tenho certeza. Ele não é meu favorito, mas pensaria no seu nome.


Pronto galera, precisava desabafar.


Mais tarde postaremos uma resenha sobre o sonolento jogo de ontem.


Estamos de volta. Um grande abraço!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sport na Libertadores

Primeiramente gostaria de me desculpar pela ausência do blog, mas o tempo está corrido. Final de semestre é um pouco complicado. Falando de futebol agora, parabéns ao Sport pelo título da Copa do Brasil. Mais uma vez o caldeirão da Ilha do Retiro fez a diferença. Ao Corinthians cabe agora, subir para a divisão de elite do futebol brasileiro. Tarefa que até agora, está sendo bem tranquila. Aliás, a perda do título não deve apagar de forma alguma, o crescimento do clube paulista. De uma queda em 2007, de uma diretoria que roubava e destruia o clube e depois de ver um time ser desmontado por completo e remodelado novamente, a torcida precisa se orgulhar do que o time vem fazendo nesse novo ano. A copa acabou, mas o ano não.

O jogo ontem, em Pernambuco, mostrou novamente a força da torcida do Sport. Lotou e fez a festa. Durante o jogo não muito. A maior parte do tempo as torcidas, tanto de Corinthians, quanto a do Sport, estavam apreensivas e arriscavam pouco fazer festa. No começo ouvia-se mais dos torcedores paulistanos. Mas depois de 5 minutos, mais especificamente, entre os 35 e os 40 minutos do primeiro tempo, a torcida do Sport arriscava se agitar. Mas o jogo era catimbado, nervoso e um gol pró Corinthians, dava praticamente o título ao Timão. Mas o jogo prosseguiu até o final com o mesmo placar, 2 x 0 pros pernambucanos. E o título ficou para o Leão.
Ontem mais uma vez se contastou que o Sport tem força até para chegar longe no Brasileirão. Claro, se não for desmontado ao longo da temporada. Mesmo sem Romerito, que ao longo da competição foi o principal jogador, o time não jogou mal. E mais, no domingo contra o Palmeiras, com o time completamente modificado, sem 8 titulares, conseguiram vencer. De um time que não se comentava muito, hoje coloco o Sport como sério candidato pra ficar entre os cinco primeiros colocados no Campeonato Brasileiro de 2008. Nelsino Batista vai fazendo um excelente trabalho. Destaques para o zagueiro Durval, o meia Luciano Henrique e o atacante Carlinhos Bala.
No Corinthians a tristeza tomou conta ontem, e por que não tomaria? Afinal, ninguém gosta de perder, ainda mais um título que dá vaga para a principal competição do continente. Mas não se pode confundir, tristeza com revolta. O técnico do Corinthians, Mano Menezes, fez uma série de reclamações da arbitragem, não apenas na partida de ontem, mas em toda competição. Chegou até a dizer que o título do Sport não foi merecido. Isso sim é triste. A arbitragem ontem foi impecável. Errou apenas em um lance, em que André Santos não estava impedido. Mas que poderia não mudar em nada, já que o jogador não levava perigo ao gol. Colocar a culpa de uma derrota, e principalmente, falar de complô contra o Timão é no mínimo falta de saber perder. Ao contrário disso, o técnico devia exaltar sua equipe, que sempre jogou com raça e disposição. Exaltar André Santos, Dentinho, Herrera, Fabinho e Felipe, que com certeza são ótimos jogadores. O Corinthians vai subir, isso é fato. Uma derrota não pode atrapalhar a caminhada de uma equipe que tem no passado tantas glórias e um futuro promissor.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Nada a Declarar

Eu estava decidido a escrever sobre a rodada do final de semana, mesmo sem o tempo necessário para tal tarefa. Sentei no sofá e comecei a assistir aos jogos. Que decepção. Quase deisiti de escrever. Não houve nenhuma partida que prestasse. Uma rodada, assim como o começo de campeonato, foi pífia. Não merecia nem comentário. Mas se o futebol foi ruim, o que não faltou foi polêmica.
O clássico entre Santos e São Paulo foi lamentável. Duas equipes que apresentaram um péssimo futebol, e sem vontade alguma de jogá-lo. O Santos (que acaba de confirmar Cuca como novo técnico) sem Leão à frente, parecia se esforçar para errar. Os jogadores não acertavam nada. Kléber Pereira mal tocou na bola, quando tocou não foi sombra do artilheiro que marcou mais da metade dos gols do time na temporada. No outro clássico, o Fla x Flu, um jogo morno e sem graça. O time do Flamengo parecia não se achou durante os 90 minutos, e os reservas do Flu deram trabalho; ao menos no primeiro tempo. Diego Tardelli conseguiu ser expulso por mais uma bobagem e, Fernando Henrique confirmou a boa fase com pelo menos duas ótimas defesas. O destaque da partida foi mesmo o árbitro: Pericles Bassols. Um profissional de terceira categoria. Se ele acertou ao marcar o pênalti, errou em quase todos os outros lances. É depois de atuações como a desse sujeito que podemos dizer que temos um quadro de árbitros fraquíssimo.

Apesar dos dois clássicos o destaque da rodada foi mesmo o jogo entre Botafogo e Naútico. A confusão que aconteceu pela reação do jogador André Luís foi o maior destaque desse começo de Brasileirão. Após fazer falta (duvidosa) no jogador do Naútico, André Luís saiu irritadíssimo de campo. Fez gestos obscenos à torcida e chutou um copo em direção ao alambrado. Aí começou o desastre. Achando que tinha permissão e autoridade para atuar dentro da esfera desportiva, a polícia militar (corrigido 15:00 04/05) quis deter o zagueiro. Mas detê-lo de fazer o que? Gestos obscenos? Chutar um copo? Logo após as atitudes do zagueiro a tenente Lúcia Helena foi dar ordem de prisão ao jogador. DUrante tudo isso, um confronto entre jogadores e policiais aconteceu em pleno campo. Spray de pimenta, cassetetes e ameaças foram documentados pelas câmeras. Para melhorar tudo, a polícia ainda retirou o jogador e o presidente Bebeto de Freitas, no meio da torcida do Naútico. Não faltaram objetos e agressões verbais aos detidos.


Não bastasse a confusão e as inúmeras declarações infelizes de vários participantes do episódio, é preciso que o grande Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, dê uma declaração ainda mais pavorosa: "Tenho uma preocupação muito grande com o futuro de jogos de todos os clubes que atuem em um lugar onde a polícia é tão despreparada. Os clubes não têm nada a ver com essa história, mas peço que a CBF avalie a possibilidade de não serem realizados jogos não apenas no Estádio dos Aflitos, mas no estado todo. Não há garantias para o espetáculo. Uma tropa policial que age dessa maneira contra atletas de um time adversário não está vendo forças nem bandeira. É um espetáculo de vandalismo sem nenhuma razão de ser."


Será que ele não lembra dos incidentes, constantes incidentes que acontecem no Maracanã? No Morumbi? No resto do país inteiro? O preconceito é impressionante. O correto seria ignorar completamente uma atitude como essa, ainda mais vindo de um sujeito que acha que faz um belíssimo trabalho dirigindo a FERJ. Vide o empolgante Campeonato Carioca com jogos somente na casa dos grandes. Vide a lambança realizada na final do Carioca de Juniores. Realmente é um sujeito à ser ignorado.

Acontece que o problema da segurança acontece em todo o país. Todo e qualquer estádio têm problemas com torcedores e policiais. Recentemente, a torcida do Fluminense foi alvo de maus tratos no jogo da Libertadores no Morumbi. Policiais truculentos e ignorantes não é um previlégio do estado de Pernambuco. O correto e dizer em um momento como esses é que o TJD irá tomar as medidas cabíveis. Será? O próprio zagueiro André Luís já foi indiciado 2 vezes à julgamento, em ambas foi condenado a 120 dias. Cumpriu alguma delas? Não, somente 4 jogos em cada julgamento. E detalhe, ambos foram jugados no quesito agressão. É frustrante saber que uma atitude realmente efetiva dificilmente acontecerá. Mas o que nos resta é esperar por justiça. De novo.
OBS: Obrigado ao leitor Thiago Machado pela correção! Desculpe a falta de atenção!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A decisão é no Maracanã

Depois de semanas sem publicar estou de volta. Como de costume, comentando sobre a Libertadores da América. Ontem a noite, o Fluminense foi a Buenos Aires enfrentar o Boca Juniors, seis vezes campeão da competição. Voltou para o Brasil com um belo empate de 2 x 2 na bagagem e agora tem a vantagem do empate em 0 x 0 e 1 x 1.
Como era de se esperar, a pressão inicial do Boca foi avassaladora. A movimentação do ataque argentino confundia a zaga Tricolor. Riquelme era muito mal marcado por Arouca, Maurício não conseguia cobrir as costas de Gabriel e Cícero e Jr. César não defendiam bem do lado esquerdo. A marcação do Fluminense era falha e a superioridade era evidente. Apesar da pressão nos primeiros minutos ser enorme, nas chances que tinha de atacar o Fluminense não vacilava e mostrava-se perigoso nos contra-ataques. Apesar disso, o time não suportou a pressão e sofreu o primeiro gol. Numa saída de bola errada, Riquelme tomou a bola, passou para Palermo que deu passe magistral para Riquelme botar nas redes.

Não fosse a reação relâmpago do Tricolor (tal qual no jogo contra o São Paulo) a situação poderia piorar. Naõ desistindo do ataque, Thiago Neves recebeu falta na lateral direita da área do Boca. Ele mesmo cobrou na cabeça de Thiago Silva que subiu muito e fez o primeiro gol do Fluminense em território argentino. Após o gol, o time do Rio recuou um pouco mais, porém continuava a querer jogar futebol. Todas as oportunidades de ataque, tentava chegar ao gol adversário, sem catimbar ou desistir do jogo. Mesmo com toda a raça brasileira, o time argentino era muito melhor. A fraca marcação do Flu deixava Riquelme com muita liberdade para brilhar. Os passes rápidos mostravam o entroisamento de um time que joga há quase 2 anos juntos. Olhando pausadamente alguns lances do Boca, pode-se perceber que alguns jogadores (principalmente o trio Palermo-Palacio-Riquelme) nem sequer olham para os companheiros para tocar a bola, já sabem o posicionamento deles em campo.
No segundo tempo, o time brasileiro recuou muito, a pressão do Boca tornou-se impressionante. O gol ia se desenhando aos poucos. Arouca não ganhava uma de Roman. Apesar de acertar um pouco mais a marcação e diminuir os espaços deixados nas costas dos laterias, o time abdicou do ataque. Errava as saídas de bola e não conseguia diminuir a pressão do Boca. Num lance na frente da área, o árbitro acusou mão de Jr César. Decisão errada e tomada no "grito". A pressão sobre a arbitragem é grande, dificilmente um árbitro teria uma boa atuação numa partida como aquela. Riquelme demorou 2 minutos para bater a falta. Contou com desvio de Cícero e Romeu. E marcou o seu segundo gol. O estádio Avellaneda explodiu.
No meio dessa empolgação de sua torcida, o técnico Carlos Ichia modificou o time e colocou um time mais ofensivo, buscando uma vitória mais expressiva. Para buscar o resultado o Fluminense voltou a jogar futebol. Ainda sofria pressão do adversário, mas conseguia chegar à área. Thiago Neves chegou em lance perigoso; chutou para a defesa de Miglori, que espalmou para o chute de Washington. O camisa 9 chutou mal para nova defesa do arqueiro argentino. Em outro lance, Jr César fez bela jogada pela esquerda e cruzou para Washington finalizar em cima de Miglori. A insistência Tricolor surtiu efeito, e aos 31 minutos, num chute de Thiago Neves, Miglori falhou bisonhamente. O empate estava feito 2 x 2.
Foi um belíssimo jogo. Não só por serem dois grandes times, mas por possuírem grandes jogadores. Riquelme encantou a qualquer um que gosta de um bom futebol. Jogou muito. Armou jogadas, marcou gols, fez a diferença. A marcação de Arouca não teve nenhum efeito em seu rendimento. Nem mesmo quando tinha três jogadores na cola, ele conseguia se livrar; muitas vezes com seus precisos toques de primeira. Do lado Tricolor, os Thiagos e o goleiro (quem diria) foram os destaques. Depois de inúmeras partidas sem se apresentar bem, Thiago Neves jogou bem. Chamou o jogo, partiu para cima, ajudou na marcação e não amarelou. Thiago Silva foi o de costume: essencial. Além de ajudar a zaga com uma atuação sempre segura, fez o primeiro gol da história do Fluminense na Argentina. Fernando Henrique é que foi o maior destaque. Fez defesas monumentais e importantíssimas para a manutenção do resultado. Especialmente numa cabeçada de Chavez e num chute de Palacio, o camisa 1 Tricolor, mostrou serviço.

Mesmo com a obtenção desse grande resultado, o Fluminense tem um desafio ainda maior na quarta-feira que vem. Todos sabem que o Boca joga muito bem fora de casa. Os resultados contra o Altas e o Cruzeiro mostram isso. Jogar com inteligência e sem se afobar será essencial para conseguir uma vaga na final.

O Fluminense está a um jogo de chegar a decisão da Libertadores, basta um empate sem gols. Aliás, até com 1 x 1 dá Flu na final. Falando assim parece fácil. Poderia até ser, se o adversário não fosse o Boca. O último time brasileiro a eliminar os argentinos em uma Libertadores foi o Santos de Pelé em 63. São 45 anos de escrita.

Mais uma vez a toricda deve comparecer e o time tem que corresponder. Não bastará jogar como jogou na Argentina; o Flu terá que se superar novamente para derrotar o Boca. Sem medo e com muita raça. Somente assim poderemos ter um brasileiro na final. Quarta feira que vem nos vamos descobrir.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os Opostos Tricolores

Como estou com pouco tempo para escrever no blog, estou postando mais dois textos de outros autores. Um é do brilhante jornalista Sidney Garambone, e o outro é de um torcedor são paulino.
Prometo que vou tentar escrever mais. O tempo está curto. Mas eses textos aí embaixo valem muito a pena. Aproveitem.






O ÚLTIMO MINUTO - Sidney Garambone


Ele se chama Flávio Henrique, e não Fernando Henrique. É como eu, você ou nossos amigos mais próximos. Um apaixonado pelos mistérios do futebol. Atravessou a madrugada aos goles e prantos. Feliz e sentindo-se recompensado pela coragem, pela fé em acreditar no irracional, no inimigo de Descartes.Flávio tinha 12 anos quando o pai o levou ao Maracanã. Era decisão, era contra o Flamengo, e o time dele não era o favorito. O empate dava o título ao rubro-negro. E talvez querendo evitar a primeira dor d´alma do filho, o pai de Flávio largou o terrível “vamos embora meu filho”! Foram, já nas rampas do estádio ouviram o urro da turba, era Assis entrando para a história. Voltaram correndo e passaram a noite vibrando.Pouco mais de uma década depois, já sem pai, Flávio estava novamente no Maracanã, novamente numa decisão, novamente contra o Flamengo. O placar resistia amargo para ele. O empate era rubro-negro e o 2 x 2 parecia ser imutável. Lembrou-se do pai, de Assis, do mistério. Resolveu ir embora antes do apito. As mesmas rampas estavam lá. Mas nada aconteceu. Continuou o périplo rumo ao asfalto. De novo o imponderável. Uma barriga entrou para a história. E Flávio voltou correndo para as arquibancadas. Passou a noite vibrando.Quarta-feira, 21 de maio de 2008. Contra o São Paulo lá estava Flávio, mais uma vez acreditando no time dele, que passou 91 minutos sem a classificação assegurada. Um pouco antes disso ele virou para um velho companheiro de cimento e bradou, confiante: vou embora! Pela terceira vez seu coração traía os próprios olhos. Ouviu impropérios de quem o considerou um covarde. Seguiu indiferente rumo ao anel externo. Comprou uma cerveja, sentou no chão e chorou. Um coroa passou e disse: “Vamos, menino, vamos voltar para lá, ainda dá!”. Flávio recusou, lembrou dos quilos de Nelson Rodrigues que já lera, do Gravatinha, do Sobrenatural de Almeida, do homem fatal de Bicas e acreditou naquelas bobagens que só nós, apaixonados por futebol, acreditamos como a mais pia das verdades.Enquanto isso, uma explosão demográfica na área de Rogério Ceni. Mesmo assim, Washington honra um nome já conhecido pelos refletores, sobe mais que a gigantesca zaga são-paulina, pára no ar como um beija-flor e beija com a testa o couro amarelo. A rede dança, o pranto explode e do breu do túnel de acesso, surge mais uma vez Flávio, tresloucado, rouco e feliz. Com a absoluta certeza de que tudo foi culpa sua.



ÉPICOS - Ricardo Perrone


"Olha, eu estou aqui no Maracanã. Acabei de ver o meu Tricolor perder para o outro Tricolor, estou obviamente triste e não quero escrever nada agora. Só quero registrar que vi um jogo épico, um time que vai ficar pra história por esta simples classificação, contra outro time de altíssimo nível que perdeu pro futebol, pro acaso, pra competência, pro matador, pro Renato ousado e pra uma torcida que, confesso, me deixou muito impressionado. Não pelo número, mas pela fé. Eu nunca vou esquecer o que vi aqui. Nem pelo choro que não contive no final do jogo, quando vi alguns dos caras que eu vejo treinar todo dia sentandos no gramado, e quando entrei na cabine para colocar a manchete na Estação Tricolor. Pior: Eu vi o último gol dentro da torcida do Flu, porque fui fumar.E o que era pra ser mais dolorido se tornou um anestesico. Eu senti ali dentro a emoção e a alegria deles, e, juro por Deus, me dói dizer isso, mas eles mereciam. Como torcedor saio daqui frustrado, magoado, arrasado. Não vou dormir, tenho certeza. Pra se ter idéia do quanto doeu pro time, eu to online com o Alex Silva e ele me conta que 80% do time tá acordado, pensando, mudo. Ele me disse a seguinte frase: "Foi o pior dia da minha vida". Da minha não foi, porque conheci um Maracanã que eu nem sonhava ser tão lindo. Entrei no gramado, vi ídolos… enfim, coisa de apaixonado por futebol. Mas, caros tricolores…Parabéns pra alguns, e calma pra outros.O mundo não acaba por uma derrota. Mas também não gira se continuarem com a tese do "perdemos pra nós mesmos".Hoje não! Perdemos, mas perdemos pra um Fluminense forte, guerreiro e que mereceu passar de fase.Ninguém faz 3 gols no São Paulo. E quando faz, merece passar."



Não quero dizer que concordo com o que está escrito, ou discordo das opiniões. São ótimos exemplares de como razão e paixão se confundem. O futebol é cultura, assim como a literatura. Os dois juntos são arte. E que arte.