segunda-feira, 2 de junho de 2008

Nada a Declarar

Eu estava decidido a escrever sobre a rodada do final de semana, mesmo sem o tempo necessário para tal tarefa. Sentei no sofá e comecei a assistir aos jogos. Que decepção. Quase deisiti de escrever. Não houve nenhuma partida que prestasse. Uma rodada, assim como o começo de campeonato, foi pífia. Não merecia nem comentário. Mas se o futebol foi ruim, o que não faltou foi polêmica.
O clássico entre Santos e São Paulo foi lamentável. Duas equipes que apresentaram um péssimo futebol, e sem vontade alguma de jogá-lo. O Santos (que acaba de confirmar Cuca como novo técnico) sem Leão à frente, parecia se esforçar para errar. Os jogadores não acertavam nada. Kléber Pereira mal tocou na bola, quando tocou não foi sombra do artilheiro que marcou mais da metade dos gols do time na temporada. No outro clássico, o Fla x Flu, um jogo morno e sem graça. O time do Flamengo parecia não se achou durante os 90 minutos, e os reservas do Flu deram trabalho; ao menos no primeiro tempo. Diego Tardelli conseguiu ser expulso por mais uma bobagem e, Fernando Henrique confirmou a boa fase com pelo menos duas ótimas defesas. O destaque da partida foi mesmo o árbitro: Pericles Bassols. Um profissional de terceira categoria. Se ele acertou ao marcar o pênalti, errou em quase todos os outros lances. É depois de atuações como a desse sujeito que podemos dizer que temos um quadro de árbitros fraquíssimo.

Apesar dos dois clássicos o destaque da rodada foi mesmo o jogo entre Botafogo e Naútico. A confusão que aconteceu pela reação do jogador André Luís foi o maior destaque desse começo de Brasileirão. Após fazer falta (duvidosa) no jogador do Naútico, André Luís saiu irritadíssimo de campo. Fez gestos obscenos à torcida e chutou um copo em direção ao alambrado. Aí começou o desastre. Achando que tinha permissão e autoridade para atuar dentro da esfera desportiva, a polícia militar (corrigido 15:00 04/05) quis deter o zagueiro. Mas detê-lo de fazer o que? Gestos obscenos? Chutar um copo? Logo após as atitudes do zagueiro a tenente Lúcia Helena foi dar ordem de prisão ao jogador. DUrante tudo isso, um confronto entre jogadores e policiais aconteceu em pleno campo. Spray de pimenta, cassetetes e ameaças foram documentados pelas câmeras. Para melhorar tudo, a polícia ainda retirou o jogador e o presidente Bebeto de Freitas, no meio da torcida do Naútico. Não faltaram objetos e agressões verbais aos detidos.


Não bastasse a confusão e as inúmeras declarações infelizes de vários participantes do episódio, é preciso que o grande Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, dê uma declaração ainda mais pavorosa: "Tenho uma preocupação muito grande com o futuro de jogos de todos os clubes que atuem em um lugar onde a polícia é tão despreparada. Os clubes não têm nada a ver com essa história, mas peço que a CBF avalie a possibilidade de não serem realizados jogos não apenas no Estádio dos Aflitos, mas no estado todo. Não há garantias para o espetáculo. Uma tropa policial que age dessa maneira contra atletas de um time adversário não está vendo forças nem bandeira. É um espetáculo de vandalismo sem nenhuma razão de ser."


Será que ele não lembra dos incidentes, constantes incidentes que acontecem no Maracanã? No Morumbi? No resto do país inteiro? O preconceito é impressionante. O correto seria ignorar completamente uma atitude como essa, ainda mais vindo de um sujeito que acha que faz um belíssimo trabalho dirigindo a FERJ. Vide o empolgante Campeonato Carioca com jogos somente na casa dos grandes. Vide a lambança realizada na final do Carioca de Juniores. Realmente é um sujeito à ser ignorado.

Acontece que o problema da segurança acontece em todo o país. Todo e qualquer estádio têm problemas com torcedores e policiais. Recentemente, a torcida do Fluminense foi alvo de maus tratos no jogo da Libertadores no Morumbi. Policiais truculentos e ignorantes não é um previlégio do estado de Pernambuco. O correto e dizer em um momento como esses é que o TJD irá tomar as medidas cabíveis. Será? O próprio zagueiro André Luís já foi indiciado 2 vezes à julgamento, em ambas foi condenado a 120 dias. Cumpriu alguma delas? Não, somente 4 jogos em cada julgamento. E detalhe, ambos foram jugados no quesito agressão. É frustrante saber que uma atitude realmente efetiva dificilmente acontecerá. Mas o que nos resta é esperar por justiça. De novo.
OBS: Obrigado ao leitor Thiago Machado pela correção! Desculpe a falta de atenção!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A decisão é no Maracanã

Depois de semanas sem publicar estou de volta. Como de costume, comentando sobre a Libertadores da América. Ontem a noite, o Fluminense foi a Buenos Aires enfrentar o Boca Juniors, seis vezes campeão da competição. Voltou para o Brasil com um belo empate de 2 x 2 na bagagem e agora tem a vantagem do empate em 0 x 0 e 1 x 1.
Como era de se esperar, a pressão inicial do Boca foi avassaladora. A movimentação do ataque argentino confundia a zaga Tricolor. Riquelme era muito mal marcado por Arouca, Maurício não conseguia cobrir as costas de Gabriel e Cícero e Jr. César não defendiam bem do lado esquerdo. A marcação do Fluminense era falha e a superioridade era evidente. Apesar da pressão nos primeiros minutos ser enorme, nas chances que tinha de atacar o Fluminense não vacilava e mostrava-se perigoso nos contra-ataques. Apesar disso, o time não suportou a pressão e sofreu o primeiro gol. Numa saída de bola errada, Riquelme tomou a bola, passou para Palermo que deu passe magistral para Riquelme botar nas redes.

Não fosse a reação relâmpago do Tricolor (tal qual no jogo contra o São Paulo) a situação poderia piorar. Naõ desistindo do ataque, Thiago Neves recebeu falta na lateral direita da área do Boca. Ele mesmo cobrou na cabeça de Thiago Silva que subiu muito e fez o primeiro gol do Fluminense em território argentino. Após o gol, o time do Rio recuou um pouco mais, porém continuava a querer jogar futebol. Todas as oportunidades de ataque, tentava chegar ao gol adversário, sem catimbar ou desistir do jogo. Mesmo com toda a raça brasileira, o time argentino era muito melhor. A fraca marcação do Flu deixava Riquelme com muita liberdade para brilhar. Os passes rápidos mostravam o entroisamento de um time que joga há quase 2 anos juntos. Olhando pausadamente alguns lances do Boca, pode-se perceber que alguns jogadores (principalmente o trio Palermo-Palacio-Riquelme) nem sequer olham para os companheiros para tocar a bola, já sabem o posicionamento deles em campo.
No segundo tempo, o time brasileiro recuou muito, a pressão do Boca tornou-se impressionante. O gol ia se desenhando aos poucos. Arouca não ganhava uma de Roman. Apesar de acertar um pouco mais a marcação e diminuir os espaços deixados nas costas dos laterias, o time abdicou do ataque. Errava as saídas de bola e não conseguia diminuir a pressão do Boca. Num lance na frente da área, o árbitro acusou mão de Jr César. Decisão errada e tomada no "grito". A pressão sobre a arbitragem é grande, dificilmente um árbitro teria uma boa atuação numa partida como aquela. Riquelme demorou 2 minutos para bater a falta. Contou com desvio de Cícero e Romeu. E marcou o seu segundo gol. O estádio Avellaneda explodiu.
No meio dessa empolgação de sua torcida, o técnico Carlos Ichia modificou o time e colocou um time mais ofensivo, buscando uma vitória mais expressiva. Para buscar o resultado o Fluminense voltou a jogar futebol. Ainda sofria pressão do adversário, mas conseguia chegar à área. Thiago Neves chegou em lance perigoso; chutou para a defesa de Miglori, que espalmou para o chute de Washington. O camisa 9 chutou mal para nova defesa do arqueiro argentino. Em outro lance, Jr César fez bela jogada pela esquerda e cruzou para Washington finalizar em cima de Miglori. A insistência Tricolor surtiu efeito, e aos 31 minutos, num chute de Thiago Neves, Miglori falhou bisonhamente. O empate estava feito 2 x 2.
Foi um belíssimo jogo. Não só por serem dois grandes times, mas por possuírem grandes jogadores. Riquelme encantou a qualquer um que gosta de um bom futebol. Jogou muito. Armou jogadas, marcou gols, fez a diferença. A marcação de Arouca não teve nenhum efeito em seu rendimento. Nem mesmo quando tinha três jogadores na cola, ele conseguia se livrar; muitas vezes com seus precisos toques de primeira. Do lado Tricolor, os Thiagos e o goleiro (quem diria) foram os destaques. Depois de inúmeras partidas sem se apresentar bem, Thiago Neves jogou bem. Chamou o jogo, partiu para cima, ajudou na marcação e não amarelou. Thiago Silva foi o de costume: essencial. Além de ajudar a zaga com uma atuação sempre segura, fez o primeiro gol da história do Fluminense na Argentina. Fernando Henrique é que foi o maior destaque. Fez defesas monumentais e importantíssimas para a manutenção do resultado. Especialmente numa cabeçada de Chavez e num chute de Palacio, o camisa 1 Tricolor, mostrou serviço.

Mesmo com a obtenção desse grande resultado, o Fluminense tem um desafio ainda maior na quarta-feira que vem. Todos sabem que o Boca joga muito bem fora de casa. Os resultados contra o Altas e o Cruzeiro mostram isso. Jogar com inteligência e sem se afobar será essencial para conseguir uma vaga na final.

O Fluminense está a um jogo de chegar a decisão da Libertadores, basta um empate sem gols. Aliás, até com 1 x 1 dá Flu na final. Falando assim parece fácil. Poderia até ser, se o adversário não fosse o Boca. O último time brasileiro a eliminar os argentinos em uma Libertadores foi o Santos de Pelé em 63. São 45 anos de escrita.

Mais uma vez a toricda deve comparecer e o time tem que corresponder. Não bastará jogar como jogou na Argentina; o Flu terá que se superar novamente para derrotar o Boca. Sem medo e com muita raça. Somente assim poderemos ter um brasileiro na final. Quarta feira que vem nos vamos descobrir.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os Opostos Tricolores

Como estou com pouco tempo para escrever no blog, estou postando mais dois textos de outros autores. Um é do brilhante jornalista Sidney Garambone, e o outro é de um torcedor são paulino.
Prometo que vou tentar escrever mais. O tempo está curto. Mas eses textos aí embaixo valem muito a pena. Aproveitem.






O ÚLTIMO MINUTO - Sidney Garambone


Ele se chama Flávio Henrique, e não Fernando Henrique. É como eu, você ou nossos amigos mais próximos. Um apaixonado pelos mistérios do futebol. Atravessou a madrugada aos goles e prantos. Feliz e sentindo-se recompensado pela coragem, pela fé em acreditar no irracional, no inimigo de Descartes.Flávio tinha 12 anos quando o pai o levou ao Maracanã. Era decisão, era contra o Flamengo, e o time dele não era o favorito. O empate dava o título ao rubro-negro. E talvez querendo evitar a primeira dor d´alma do filho, o pai de Flávio largou o terrível “vamos embora meu filho”! Foram, já nas rampas do estádio ouviram o urro da turba, era Assis entrando para a história. Voltaram correndo e passaram a noite vibrando.Pouco mais de uma década depois, já sem pai, Flávio estava novamente no Maracanã, novamente numa decisão, novamente contra o Flamengo. O placar resistia amargo para ele. O empate era rubro-negro e o 2 x 2 parecia ser imutável. Lembrou-se do pai, de Assis, do mistério. Resolveu ir embora antes do apito. As mesmas rampas estavam lá. Mas nada aconteceu. Continuou o périplo rumo ao asfalto. De novo o imponderável. Uma barriga entrou para a história. E Flávio voltou correndo para as arquibancadas. Passou a noite vibrando.Quarta-feira, 21 de maio de 2008. Contra o São Paulo lá estava Flávio, mais uma vez acreditando no time dele, que passou 91 minutos sem a classificação assegurada. Um pouco antes disso ele virou para um velho companheiro de cimento e bradou, confiante: vou embora! Pela terceira vez seu coração traía os próprios olhos. Ouviu impropérios de quem o considerou um covarde. Seguiu indiferente rumo ao anel externo. Comprou uma cerveja, sentou no chão e chorou. Um coroa passou e disse: “Vamos, menino, vamos voltar para lá, ainda dá!”. Flávio recusou, lembrou dos quilos de Nelson Rodrigues que já lera, do Gravatinha, do Sobrenatural de Almeida, do homem fatal de Bicas e acreditou naquelas bobagens que só nós, apaixonados por futebol, acreditamos como a mais pia das verdades.Enquanto isso, uma explosão demográfica na área de Rogério Ceni. Mesmo assim, Washington honra um nome já conhecido pelos refletores, sobe mais que a gigantesca zaga são-paulina, pára no ar como um beija-flor e beija com a testa o couro amarelo. A rede dança, o pranto explode e do breu do túnel de acesso, surge mais uma vez Flávio, tresloucado, rouco e feliz. Com a absoluta certeza de que tudo foi culpa sua.



ÉPICOS - Ricardo Perrone


"Olha, eu estou aqui no Maracanã. Acabei de ver o meu Tricolor perder para o outro Tricolor, estou obviamente triste e não quero escrever nada agora. Só quero registrar que vi um jogo épico, um time que vai ficar pra história por esta simples classificação, contra outro time de altíssimo nível que perdeu pro futebol, pro acaso, pra competência, pro matador, pro Renato ousado e pra uma torcida que, confesso, me deixou muito impressionado. Não pelo número, mas pela fé. Eu nunca vou esquecer o que vi aqui. Nem pelo choro que não contive no final do jogo, quando vi alguns dos caras que eu vejo treinar todo dia sentandos no gramado, e quando entrei na cabine para colocar a manchete na Estação Tricolor. Pior: Eu vi o último gol dentro da torcida do Flu, porque fui fumar.E o que era pra ser mais dolorido se tornou um anestesico. Eu senti ali dentro a emoção e a alegria deles, e, juro por Deus, me dói dizer isso, mas eles mereciam. Como torcedor saio daqui frustrado, magoado, arrasado. Não vou dormir, tenho certeza. Pra se ter idéia do quanto doeu pro time, eu to online com o Alex Silva e ele me conta que 80% do time tá acordado, pensando, mudo. Ele me disse a seguinte frase: "Foi o pior dia da minha vida". Da minha não foi, porque conheci um Maracanã que eu nem sonhava ser tão lindo. Entrei no gramado, vi ídolos… enfim, coisa de apaixonado por futebol. Mas, caros tricolores…Parabéns pra alguns, e calma pra outros.O mundo não acaba por uma derrota. Mas também não gira se continuarem com a tese do "perdemos pra nós mesmos".Hoje não! Perdemos, mas perdemos pra um Fluminense forte, guerreiro e que mereceu passar de fase.Ninguém faz 3 gols no São Paulo. E quando faz, merece passar."



Não quero dizer que concordo com o que está escrito, ou discordo das opiniões. São ótimos exemplares de como razão e paixão se confundem. O futebol é cultura, assim como a literatura. Os dois juntos são arte. E que arte.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Tricolor de Coração

Foi um jogo histórico. Inesquecível.


Estive viajando nos últimos dias, por isso não postei sobre as rodadas da Libertadores.

Por enquanto segue um texto de Mauro Beting, mesclando as crônicas de um dos autores mais brilhantes da história do literatura brasileira.

O Tricolor Nelson Rodrigues.



“Amigos, a humildade acaba aqui. O Fluminense conquistou sua mais bela vitória. E foi também o grande dia do Estádio Mário Filho. A massa ‘pó-de-arroz’ teve o sentimento do triunfo. Vivos e mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas e os mortos de suas tumbas. E, diante da platéia colossal, Fluminense e São Paulo fizeram uma dessas partidas imortais. Daqui a duzentos anos a cidade dirá, mordida de nostalgia: - ‘Aquele jogo da Libertadores!’. Ah, quem não esteve no Maracanã não viveu. Houve, durante noventa minutos, um suspense mortal. Setenta mil pessoas morriam nas arquibancadas.Pelo amor de Deus, não me venham dizer que, no final do jogo, o São Paulo jogou com dez. Eram dez fanáticos dispostos a vencer ou perecer. Mas, dizia eu, que a nossa humildade pára aqui. Passamos toda a jornada com um passarinho em cada ombro e as duras e feias sandálias nos pés.Mas o Fluminense é o vencedor. Desde muito antes. Lembro-me da primeira rodada em que ficamos na ponta. As esquinas e os botecos faziam a piada cruel: - ‘Líder por uma semana’. Olhem para trás. Não houve time mais regular. Mais constante. Mas foi engraçado: - por muito tempo, ninguém acreditou no Fluminense, ninguém.Houve lances que escapariam à vidência até de um Maomé, até de um Moisés de Cecil B. de Mille. Lembro-me de um momento em que Rogério Ceni estava batido irremediavelmente. O arco são-paulino abria seus sete metros e quebrados. E que fez Thiago Neves? Consumou o gol de cambaxirra? Simplesmente, Thiago Neves deu a bola de bandeja para fora do gol. E foi preciso que Washington, o goleador por nós mais esperado que um Moisés, marcasse aquele que seria o gol da vitória, da doce e santa classificação. E o São Paulo não empatou mais, nunca mais.Não acredito em futebol sem sorte. Digo mais: - sem esse mínimo de sorte, o sujeito não consegue nem chupar um Chica-Bon, o sujeito acaba engolindo o pauzinho do sorvete. E o Fluminense estava jogando sem uma ínfima gota de sorte até anteontem.Amigos, a grande verdade: - a obra-prima, no futebol e na arte, tem de ser imperfeita. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão estilista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões.Agora e a pergunta: - e o personagem da conquista? Podia ser cada um. Mas entendo que desta vez o personagem deve ser o time. Do goleiro ao ponta. Todos, todos mostraram uma alma, uma paixão, um ímpeto inexcedíveis".

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Europa é Vermelha

Na última quarta-feira, dia 21 de maio de 2008, vai ficar marcado na história do clube mais rico do mundo, o Manchester United. Os ingleses ganharam pela 3ª vez a Liga dos Campeões e com toda justiça. Foi o melhor time da temporada na Europa, tem o melhor jogador do mundo da atualidade e não perdeu nenhuma partida na competição. Se alguém acha que esse título não foi justo, realmente não acompanhou o futebol de continente europeu. O Chelsea por sua vez, ficou vice para os Reds por duas vezes seguidas. A primeira no campeonato Inglês. A segunda, agora, na Champions. Mas os Blues não precisam ficar cabisbaixos. Fizeram uma temporada muito boa e disputou todos os principais torneios até o final. Parabéns ao Manchester e a Cristiano Ronaldo, que convenhamos, vai ganhar o título de melhor do mundo promovido pela FIFA. A festa da entidade maior do futebol deverá acontecer em dezembro.

Na quarta-feira o mundo parou para ver o duelo de clubes ingleses. O último confronto de times do mesmo país aconteceu em 2003 (temporada 2002/2003), quando Milan e Juventus disputaram a final. Milan nos pênaltis se consagrou. Voltando a 2008, a final antes ja prometia ser jogão. E a abertura da final em Moscou foi linda. A festa deu o ar da graça antes das estrelas entrarem em campo. O jogo foi corrido durante o tempo todo. No começo da partida ainda houve um pouco de estudo de ambas as partes e muito chutão. Mas depois o Manchester começou a dominar a partida. E não demorou muito para os Reds abrirem o placar. E a jogada saiu da perna esquerda, que não é a boa, de Brown (quem diria). A pelota encontrou a cabeça do melhor. Cristiano Ronaldo abria o placar. A partir daí o que se viu até o final do jogo, foi um domínio do Chelsea. No final da primeira etapa, em jogada de sorte, os Blues empataram com Lampard. O segundo tempo o Chelsea deu o dobro de chutes do Manchester. Mas encontrava Van der Saar no meio do caminho. Ferdinand era outro que fazia uma bela partida. O Manchester teve suas chances e a melhor de todas foi bem no finalzinho da segunda etapa. Giggs ganhou uma passe açucarado de Evra, que fez bela jogada pela esquerda, o veterano bateu para o gol, mas Terry salvou o Blues.
A prorrogação foi o esperado. Ninguém queria se expor e o cansaço ajudou para que as chances de gols ficassem rarar. Aconteceram, mas não acabou dando em nada. O jogo foi para os pênaltis. Ai entra a loteria. As cobranças estavam indo bem, 2 a 2 e parecia que ia longe. Todos batiam bem. Ai chegou a vez do melhor da temporada. Ronaldo ajeitou a bola, fez pose e... Bateu nas mãos de Peter Chech. O português quase chorava no momento e ia chorar no final das contas. E agora chegava o momento da última cobrança. Se fizesse, Chelsea ia se consagrar campeão depois de bater tanto na trave. E em direção a bola ia o salvador da pátria do Blues. Terry, lembra dele no final do segundo tempo? Exatamente. A torcida já se preparava para gritar e ai... Ele escorrega, paga mico e perde a penalidade. O Manchester volta a parada e vence a disputa por 6 a 5. Cristiano chorava no meio campo, claro, enxergando a tamanha sorte que deu. Se perdesse veria tudo que construiu na temporada desmoronar.
Agora é esperar. Quem será que pegará o Manchester numa provável final de Mundial. Esperemos que seja um brasileiro. E se for ele será o Fluminense. Boa sorte ao Tricolor Carioca, que diante do São Paulo, fez uma noite de quarta-feira inesquecível para o futebol brasileiro e principalmente para os 80 mil tricolores que lotaram o Maraca.